O projeto de James D. G. Dunn, professor emérito da Universidade de Durham, na Inglaterra, e uma autoridade na pesquisa em torno das origens cristãs, é promover uma mudança de perspectiva sobre Jesus. Dunn apresenta uma posição polêmica em relação aos estudos recentes sobre o Jesus histórico, alguns deles aqui enumerados brevemente, bem como aos seus pressupostos. O primeiro tem que ver com a própria designação «Jesus histórico». De fato, o «Jesus histórico» é o Jesus reconstruído pelos historiadores, não é o homem que caminhou pelas margens do lago ou pelas colinas da Galileia. É o retrato que cada um consegue hipotisar (imaginar uma hipótese) a respeito de Jesus com os instrumentos da historiografia. Um outro pressuposto que perverteu, de certa forma, a investigação do «Jesus histórico» é a tese de que o Jesus da história deveria, necessariamente, ser diferente do Jesus que suscita a fé. Procurou-se, assim, um Jesus não só distinto do Cristo da fé, mas até do Jesus narrado pelos Evangelhos. Escreve, por isso, o autor em contracorrente: «A tentativa de conceber e praticar a pesquisa histórica sobre o modelo da pesquisa científica, ou, por último, da pesquisa arqueológica, só agravou os equívocos. A investigação sobre o Jesus histórico foi conduzida como se fosse semelhante à que Madame Curie realizou sobre o rádio, um processo de filtragem de todos os elementos até ao composto final.» Ora, o único Jesus verdadeiramente acessível, garante James Dunn, é o Jesus como foi visto e escutado por aqueles que primeiro formularam as tradições existentes, isto é, os Evangelhos.
1º Ano - Módulo 1
11 – Precisamos de mudar de perspectiva?

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