Burton Mack, por seu lado, distancia-se das ideias mais consensuais acerca de Jesus, defendendo uma separação entre ele e o seu mundo judaico de origem. A teoria de B. Mack arrisca dizer que o nível mais antigo da tradição de Jesus é sapiencial e prefere considerar o Jesus histórico como um mestre cínico, mais helenista (grego) que judeu, numa Galileia totalmente helenizada. O Reino de que Jesus falava estaria mais próximo do «reino do cínico» do que de qualquer noção especificamente judaica e religiosa. Esta aproximação de Jesus aos filósofos itinerantes afasta Jesus do ambiente especificamente palestino e judaico e aproxima-o do ethos helenístico que predominava. Ainda que judeu por nascimento, não se pode dizer que Jesus se envolvesse por aí além nas questões e questiúnculas típicas do mundo social judaico. A sua missão não se integrava propriamente no espaço do judaísmo, do qual Jesus parece inclusive deslocado: não só não produz sobre ele uma crítica sistemática, como não combate por renová-lo. Jesus não convocava o seu auditório para a pertença a uma nova comunidade. A finalidade da sua mensagem transformadora, à maneira dos itinerantes estoicos e cínicos, era o sujeito individualmente considerado. A grande revolução opera-se no interior de cada um e pessoa a pessoa. Jesus foi, assim, mais um pescador à linha do que um lançador de redes.
1º Ano - Módulo 1
9 – Jesus foi um filósofo itinerante?

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