Recorrendo à abordagem do espaço, Halvor Moxnes, professor na Universidade de Oslo, apresenta uma perspectiva provocadora sobre o Jesus histórico. Que conclui ele? Que Jesus penetrava na área disputada da autoridade, fosse ela qual fosse. As afirmações de Jesus sobre o Reino de Deus estabeleciam um novo lugar para os seus seguidores, que tinham simplesmente deixado a família ou haviam experimentado conflitos com o seu grupo de origem. E da mesma forma devemos interpretar os seus exorcismos. Estes representavam um desafio às autoridades estabelecidas, pois os exorcizados encontravam-se na intersecção de muitas áreas: saúde e doença, poder e falta de poder, estar dentro ou fora das convenções sociais. Tanto os ditos de Jesus sobre Deus como os seus exorcismos constituíam uma chave contracultural perante a ideologia e os poderes dominantes. Jesus representava um poder que, não sendo político, contestava a configuração política do mundo. Jesus aparece, assim, empenhado em construir uma alternativa aos modelos (religiosos, políticos, parentais) sobre os quais assentava a regulação social. Emerge, deste modo, como um visionário radical, empenhado em abalar e redefinir o quadro vigente. Como escreve Moxnes, “Jesus provocava a que se rompesse com os limites e se estabelecesse uma relação diferente entre identidade e lugar”.
1º Ano - Módulo 1
8 – Jesus foi um visionário radical?

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